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Três imagens e uma nota breve sobre um filme que nos diz (com razão) que ainda não vimos nada

 

Vocês ainda não viram nada de Alain Resnais

 


Lançado no Frstival deCannes no ano passado, chega aos cinema brasileiros o novo filme de Alain Resnais, Vocês ainda não viram nada. O título veio de algo escrito ao acaso numa das latas chegadas do laboratório durante o processo de montagem e ao mesmo tempo, Vous n'avez pas encore rien vu, envia o espectador à primeira fala de seu primeiro longa-metragem, Hiroshima meu amor (1959): Tu n'as rien vu a Hiroshima (você não viu nada em Hiroshima).

Alain Resnais, Cannes 2012- foto de José Carlos Avellar

 

Em Cannes, a figura frágil e sorridente do diretor (90 anos, 22 filmes longos e um sem número de filmes curtos desde 1946) quase desapareceu diante da muita gente interessada em guardar uma imagem dele, em pequenas câmeras digitais ou em telefones celulares, tão logo ele entrou na sala de entrevistas ao lado dos atores com quem vem trabalhando em seus últimos filmes, Sabine Azema, Pierre Arditi, Lambert Wilson, Anny Duperey e Hyppolite Giradot.

Um filme de Alain Resnais não é apenas o que se vê na tela durante a projeção, mas tudo aquilo que o espectador medianamente informado guarda na memória de seus primeiros filmes - O ano passado em Marienbad, A guerra acabou, Eu te amo, eu te amo, Meu tio da América, Providence - ou dos mais recentes - Ervas daninhas, Na boca não, Medos privados em lugares públicos - em sua maioria, como esta aqui, comédias dramáticas narradas num espaço entre o teatro e o cinema.

Vocês ainda não viram nada parte de duas peças de Jean Anouilh (Eurydice, escrita em 1941, e de Cher Antoine ou l’amour raté, escrita em 1969) e se realiza num clima próximo daquele teatro de câmera visto em Na boca não e em Ervas daninhas, uma espécie de balé para texto e atores, uma imagem não-realista e econômica. Em absoluto contraste com o tom barroco do quadro HD das produções digitais que correm hoje nos cinemas de todo o mundo, em contraste mais forte ainda com o agitado e ansioso das narrativas da produção hegemônica. Antes de qualquer outra coisa, o que se destaca no novo Resnais é a delicadeza da construção no meio de tantas produções em busca de uma exuberância e exibicionismo uma grandiloquência que pouco têm a ver com as questões dramáticas em discussão

> ver sobre Meu tio da América de Resnais O sótão desarrumado

> ver O primeiro Resnais sobre Hiroshima meu amor e Ano passado em Marienbad

> ver sobre L'amour à mort de Resnais Morte em Veneza

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