Chronique d’un été (Crônica de um verão, de Jean Rouch e Edgar Morin

 

Crônica de um
despertar de verão


Chronique d’un été (Crônica de um verão, de Jean Rouch e Edgar Morin, 1961): Angelo, operário da Renault, diz a Edgar Morin que na verdade trabalha vinte e quatro horas por dia : depois das nove horas na fábrica, em casa dorme para recuperar as energias e voltar à fábrica no dia seguinte. Dormir faz parte do trabalho. É uma preparação para as nove horas seguintes. Daí surge a idéia de acompanhar a jornada de Angelo desde o momento em que, quinze para as cinco da manhã, o despertador avisa: está na hora de retornar à fábrica e só há tempo para o café (trazido pela mãe) e o cigarro ainda na cama.

Em Chronique d’un film, texto de introdução ao livro com a transcrição das conversas filmadas em Chronique d’un été, (publicado pela editora InterSpectacles, Paris, 1962) Morin conta como filmaram o instante em que Angelo desperta. Ele, Rouch, o câmera e o técnico de som foram ao encontro do operário na saída da fábrica, caminharam na rua ao lado dele até o ponto de ônibus, seguiram no ônibus até o subúrbio onde ele morava com a mãe, filmaram suas diversões: as lições de judô, o violão, a leitura (a vida de Danton), o jantar, e na hora de dormir combinaram o dia seguinte : o operário deixaria a chave debaixo da porta e eles voltariam para filmar o momento exato em que ele acorda para o trabalho. Três da manhã: o assistente de direção bate na porta de Morin para despertá-lo, Morin telefona para Rouch, Rouch telefona para o fotógrafo, este para o técnico de som, todos se apertam num carro pequenino, estômago vazio, cara cheia de sono, e tocam para a casa do operário. Como se fossem ladrões, lembra Morin, atravessam o pequeno jardim, entram em casa em absoluto silêncio, contendo o riso; e então, toca o despertador, luz, câmera, ação, o operário acorda e solta um muxoxo contrariado.

A imagem, mantida na montagem final, conclui Morin, não impressiona o espectador, que na tela não percebe nenhuma diferença entre um verdadeiro e um falso despertar.

 

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