A Biger Splash de Jack Hazan

 

O grande mergulho


A seqüência ocupa apenas parte do que A bigger Splash de Jack Hazan (1974) registra:

O amigo foi embora e o pintor David Hockney, entre a tristeza da partida do amigo e a necessidade de trabalhar, prepara, em Londres, um quadro para uma exposição em Nova York a partir de esboços fotográficos.

Apenas parte do filme, mas parte fundamental.

A preparação da pintura não é documentada de modo extenso e detalhado. O filme nos oferece, digamos, algumas pinceladas do processo: uma série de fotos de alguém que mergulhou na piscina, a luz compondo formas abstratas na água; fotos da piscina, o chão de azulejos,
o muro da casa, a montanha no fundo da paisagem, a luz entardecer; fotos da composição até então apenas sonhada, um homem na borda da piscina
observa o amigo que mergulhara.
Depois, as fotos para conseguir
a figura na beira da piscina na pose desejada e a montagem das anotações visuais fotografadas no quadro.

Nada semelhante, por exemplo, ao longo tempo dedicado pela câmera de Víctor Erice ao trabalho de Antonio López em El sol del membrillo (1992), nem mesmo à atenção dedicada pela câmera de Jacques Rivette à mão do pintor Bernard Dufour em La belle noiseuse (1991). Não para efetivamente documentar o processo de preparação de uma pintura, como no filme de Erice, nem para dar ao corpo do ator a mão do artista no instante do trabalho, como no filme de Rivette,
A Bigger Splash
de Hazan pega do trabalho de pintar Portrait of an Artist breves anotações que permitem compor uma metáfora da construção do olhar – do artista, seja ele um pintor ou um diretor de cinema; e do espectador, esteja ele diante de um quadro ou de um filme.

Assim, a série de fotos, e nela em especial a série feita quando o quadro já está quase pronto, a série que procura o gesto preciso do homem à beira da piscina, a que o filme mostra, depois, projetada num papel para o risco da silhueta, reproduzida uma, duas vezes, antes de inserida na pintura, a série de fotos representa o trabalho de seleção e apreensão do mundo visível, do instante em que ela toca a retina ao que a forma se define e ganha sentido como realidade feita só para o olhar.

Por isso mesmo, a imagem de Hockney na sala de exposição diante de seu quadro, materializa o que todo quadro ou filme propõe para estimular um verdadeiro mergulho numa obra de arte, uma troca de olhares, uma fusão entre o artista e o espectador.

 

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